Preocupadas, todas partiram de volta para a aldeia. No entanto, no meio do cantinho, a jovem lembrou-se da concha que deixara sobre algumas pedras e pediu às amigas que voltassem à praia com ela. Temendo os espíritos que costumavam vagar pela floresta com a chegada da noite, todas se recusaram. Teimosa e encantada com a beleza da concha, a jovem resolveu ir sozinha. Tinha medo da escuridão, era bem verdade, e, para afugentar seus temores, passou a cantar. Ao ver a praia, caminhou depressa para as pedras onde , segundo se lembrava bem, deixara a concha. No entanto qual não foi a sua surpresa ao encontrar no lugar não a concha, mas um duende, uma criança pequena e de sorriso manhoso, que, ao vê-la, apressou-se em dizer:
- Você tem uma voz muito linda, menina... Cante para mim !
- Minha concha... – A jovem, com medo, quis correr.
- Cante para mim e eu lhe digo onde está a sua concha.
Ainda assustada, mas igualmente interessada em reaver a bela concha, ela o atendeu.
- Chegue mais perto para que eu possa ouvir melhor – pediu o duende.
A jovem se aproximou e foi só se aproximar que ele, muito agilmente, agarrou-a e meteu-a dentro de um barril. Em vão, ela gritou, suplicou e chorou, pedindo que ele a soltasse, presa estava e presa continuou.
Mais que depressa, o duende colocou o barril nas costas e pôs-se a vagar de aldeia em aldeia, trocando uma refeição por um bocado de boa música. Era sempre assim: ele chegava à aldeia, fazia a sua proposta e, aceita a proposta, batia no barril. Imediatamente, mesmo sem saber o que estava acontecendo, mas com medo do que o duende poderia fazer-lhe de ruim, a jovem punha-se a cantar.
Todos ficavam encantados com aquela voz melodiosa mas triste que emergia do barril. Aliás, o encantamento era tamanho que as pessoas ofereciam mais e mais comida para que ele não se fosse com o barril. O duende se enchia de comida até não poder mais e apenas as sobras ficava para a jovem, isto, quando havia sobras.
O duende continuou indo de um canto para o outro durante certo tempo. Sempre com o barril nas costas e sempre tirando dele aquela música que encantava a todos e o empanturrava de comida. Certo dia, os dois, duende e barril, acabaram chegando à aldeia onde nascera e vivera a jovem prisioneira.
Desta vez e, como vinha acontecendo desde que colocara o barril sobre os ombros e começara a ir de aldeia em aldeia, não foi nem preciso fazer a proposta. As pessoas pediram-lhe para serem entretidas. Cheio de si e já antevendo uma farta refeição, o duende apressou-se em atende-los. No entanto, os pais da jovem estavam entre os que ouviam e, mal ela começou a cantar, eles reconheceram sua voz.
- É a nossa filha ! – disse a mãe, emocionada, a alegria dando lugar à preocupação. – Como vamos fazer para tira-la daquele barril ?
Rapidamente o pai teve a idéia de, como a aldeia cobrira o duende de comida para que ele não parasse a música, dar-lhe uma comida bem forte. Assim, fizeram com que ele bebesse até que dormisse. Enquanto ele dormia, os pais da jovem a salvaram e em seu lugar dentro do Brasil colocaram abelhas e formigas guerreiras, das mais ferozes que encontraram.
E lá se foi o duende sem de nada suspeitar, até que, entrando na próxima aldeia e feita a sua proposta, ele bateu no barril. Formigas e abelhas lançaram-se furiosamente sobre a infeliz criatura e mordera, morderam , morderam. O duende fugiu para a mata e, depois disso, nem ele nem o barril foram vistos.
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