terça-feira, 22 de julho de 2014

Rubem Alves


"Uma professora me contou esta coisa deliciosa. Um inspetor visitava uma escola. Numa sala ele viu, colados nas paredes, trabalhos dos alunos acerca de alguns dos meus livros infantis. Como que num desafio, ele perguntou à criançada: "E quem é Rubem Alves?".
Um menininho respondeu: "O Rubem Alves é um homem que gosta de ipês-amarelos…". A resposta do menininho me deu grande felicidade. Ele sabia das coisas. As pessoas são aquilo que elas amam.
Mas o menininho não sabia que sou um homem de muitos amores… Amo os ipês, mas amo também caminhar sozinho. Muitas pessoas levam seus cães a passear. Eu levo meus olhos a passear. E como eles gostam! Encantam-se com tudo. Para eles o mundo é assombroso. Gosto também de banho de cachoeira (no verão…), da sensação do vento na cara, do barulho das folhas dos eucaliptos, do cheiro das magnólias...
De música clássica, de canto gregoriano, do som metálico da viola, de poesia, de olhar as estrelas, de cachorro, das pinturas de Vermeer (o pintor do filme "Moça com Brinco de Pérola"), de Monet, de Dali, de Carl Larsson, do repicar de sinos, das catedrais góticas, de jardins...
Da comida mineira, de conversar à volta da lareira. Sou místico. Ao contrário dos místicos religiosos que fecham os olhos para verem Deus, a Virgem e os anjos, eu abro bem os meus olhos para ver as frutas e legumes nas bancas das feiras. Cada fruta é um assombro, um milagre. Uma cebola é um milagre. Tanto assim que Neruda escreveu uma ode em seu louvor: "Rosa de água com escamas de cristal…"
Vejo e quero que os outros vejam comigo. Por isso escrevo. Faço fotografias com palavras (...)"

Rubem Alves.

Rubem Alves



"A celebração de mais um ano de vida é a 

celebração de um desfazer, um tempo que

deixou de ser, não mais existe.

Fósforo que foi riscado.

Nunca mais acenderá.

Daí a profunda sabedoria do ritual de soprar

as velas em festa de aniversário.

Se uma vela acesa é símbolo de vida,

uma vez apagada ela se torna símbolo de

morte."


Rubem Alves


Imagem facebook


De Frente com Gabi - Gabi entrevista Elsimar Coutinho (De Frente com Gabi)














Imagem do Google

EU MAIOR - entrevista com Rubem Alves







segunda-feira, 21 de julho de 2014





“Sentia que o relógio chamava para o seu tempo,

Que era o tempo de todos aqueles fantasmas,


O tempo da vida que passou…


Tenho saudades dele.


Por sua tranquila honestidade,


Repetindo sempre, incansável, “tempus fugit”.

Ainda comprarei um outro que diga a mesma coisa.


Relógio que não se pareça com este meu, no meu pulso,


Que marca a hora sem dizer nada,


Que não tem histórias para contar.


Meu relógio só me diz uma coisa:


O quanto eu devo correr para não me atrasar…


Mas o relógio não desiste.


Continuará a nos chamar à sabedoria: “tempus fugit…”


Quem sabe que o tempo está fugindo descobre, 


subitamente,

a beleza única do momento que nunca mais será…


Mas é preciso escolher.


Porque o tempo foge.


Não há tempo para tudo.


Não poderei escutar todas as músicas que desejo,


Não poderei ler todos os livros que desejo,


Não poderei abraçar todas as pessoas que desejo.


É necessário aprender a arte de ‘abrir mão’


– a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial.”


Trecho de Tempus Fugit – Rubem Alves.


Imagens Google

Como Interpretar a Bíblia - Augustus Nicodemus



domingo, 20 de julho de 2014

Rubem Alves



"No es suficiente con tener oídos para oír lo que se dice. Hava también necesita silenciar el alma dentro. De ahí la dificultad ..."
Rubem Alves

"Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que hava silêncio dentro da alma. Daí a dificuldade..."
Rubem Alves

Ostra Feliz Não Faz Pérola.

Buscamos, no outro, não a sabedoria do conselho, mas o silêncio da escuta; não a solidez do músculo, mas o colo que acolhe.


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